Criptoativos são regulados no Brasil?
Sabe aquela sensação estranha de chegar ao caixa do supermercado e pensar que a conta está errada? Você olha para o carrinho, vê meia dúzia de itens básicos e o visor registra um valor que, há dois ou três anos, pagaria o rancho do mês inteiro. Pois é, você acabou de ter um encontro imediato com a inflação. Muitas vezes tratamos a inflação como um índice abstrato que aparece no telejornal, mas a verdade é que ela funciona como um cupim silencioso no seu patrimônio. Se o seu dinheiro está parado na conta corrente ou escondido “debaixo do colchão”, ele está, literalmente, derretendo. O poder de compra é a verdadeira medida da riqueza, e não o número de zeros na sua conta. Se o preço das coisas sobe 10% ao ano e o seu dinheiro não rende nada, você ficou 10% mais pobre, mesmo sem gastar um centavo. Para lidar com esse cenário, o primeiro passo é parar de aceitar a rentabilidade da poupança como algo aceitável. Historicamente, a poupança mal empata com o IPCA (o índice oficial de inflação no Brasil) e, em muitos períodos, ela perde feio.
É o que chamamos de juro real negativo. Você vê o número aumentar um pouquinho todo mês, mas quando vai comprar o pão, percebe que aquele rendimento não cobriu nem o aumento do trigo. Onde esconder o seu dinheiro do “cupim”? A estratégia mais direta para quem está começando é buscar ativos que tenham o que chamamos de “proteção indexada”. No Tesouro Direto, por exemplo, o Tesouro IPCA+ é o queridinho por um motivo simples: ele garante que você vai receber a inflação do período mais uma taxa de juros fixa. Se a inflação explodir e chegar a 15%, o seu título vai render esses 15% mais o prêmio que você contratou. É a forma mais segura de garantir que o seu “eu do futuro” consiga comprar as mesmas coisas (ou mais) que o seu “eu de hoje”. Mas não dá para viver só de renda fixa se você quer realmente construir um patrimônio robusto. É aqui que entra a diversificação estratégica. Empresas sólidas na Bolsa de Valores, especialmente as que atuam em setores perenes como energia elétrica ou saneamento, costumam repassar a inflação para os seus contratos. Ao se tornar sócio dessas empresas via ações, você está comprando ativos reais que tendem a se valorizar junto com o custo de vida.
A nova fronteira: O ouro digital Não podemos falar de proteção de poder de compra sem citar o Bitcoin e o mercado cripto. Diferente das moedas governamentais (como o Real ou o Dólar), que podem ser impressas ao bel-prazer dos bancos centrais, o Bitcoin tem uma escassez programada: só existirão 21 milhões de unidades. Muita gente vê o mercado cripto apenas como especulação, mas o investidor mais experiente enxerga ali uma tese de “escassetat”. Em países onde a inflação é crônica, como Argentina ou Venezuela, as criptomoedas viraram uma boia de salvação. Ter uma pequena parcela do patrimônio em ativos que não dependem da canetada de nenhum político é uma camada extra de segurança contra a desvalorização da moeda estatal. O cenário real na ponta do lápis Imagine um cenário prático: você tem R$ 10.000,00 para investir hoje. – Se deixar na poupança com uma inflação alta, em 5 anos você pode ter “numericamente” R$ 13.000,00, mas esse valor comprará o equivalente a apenas R$ 9.000,00 de hoje. Você perdeu jogo. – Se colocar em um CDB que pague 110% do CDI ou em um título IPCA+, você mantém o valor de compra e ainda ganha um excedente.